Como dimensionar a automação de serviços de TI com consistência e confiança

“Entender as diferentes partes de uma plataforma de TI ajuda a escolher os locais certos para investir na automação ao desenvolver software”, escreve o Arquiteto de Software Ricardo Coelho de Souza

Neste artigo, ele aborda a importância da visão arquitetural – ou seja, do todo – no processo de desenvolvimento de software em uma abordagem DevOps.

Quando comecei a pensar em automação de TI e em todas as oportunidades para implementar processos em escala, concluí que seria um problema melhor resolvido se dividido em duas partes, sendo a primeira “O quê”, e a segunda, “Como”. Para a primeira parte, como delineado aqui, tentei articular a importância de entender os “prós” e “contras” da automação de TI e, talvez mais relevante ainda, de construir um processo de decisão para definir onde fazer minhas apostas.

Como dimensionar a automação de serviços de TI?

“Eu realmente acredito que mapear os fluxos de valor mais importantes na entrega de TI, colocando foco especial nas transferências entre os processos, é onde você deve estar e onde o “pote de ouro” se encontra, esperando para ser resgatado, como recompensa.”

Depois de perceber que a automação é algo imprescindível e sem volta, as empresas tendem a mapear, através do VSM (Value Stream Mapping), o maior número possível de oportunidades de automação, seja para substituir o trabalho manual ou para implementá-la em larga escala. Ao fazer isso, pode ser realmente tentador começar a capturar os benefícios de tais “oportunidades” mais cedo ou mais tarde. Alguns obterão benefícios iniciais através do desenvolvimento de código ad-hoc para automatizar tarefas, enquanto outros se beneficiarão da primeira ferramenta à vista, automatizando um punhado de tarefas manuais.

Minha humilde opinião é que, embora não haja nada de errado em experimentar esses “projetos” de fase inicial, para realmente implementar um programa de automação sustentável capaz de escalar rapidamente com capacidades plug-and-play, como IA e aprendizado de máquina, uma plataforma precisa ser definida e implementada o mais rapidamente possível.

Uma plataforma parece ser a resposta lógica, com ajustes finos, para a segunda parte do problema: o “Como”. Embora todos pareçam rotular tudo como uma plataforma nos dias de hoje, uma designação que é, muitas vezes, usada de forma intercambiável em muitos produtos, na minha mente uma plataforma é a descrição única das capacidades que um framework deve ter. Alguns produtos de software fornecem uma plataforma, mas uma plataforma é algo que também pode ser composto por recursos fornecidos por vários componentes de software diferentes e pelos processos associados que permitem o alinhamento de suas operações, resultados e necessidades de negócios.

“A definição da plataforma deve sobreviver à infinidade de ferramentas e tecnologias que surgem todos os dias e deve permitir que as organizações prevejam, com algum nível de confiança, o que pode ser produzido, quanto tempo levará para produzir, quanto custará e como o pipeline de produção pode ser controlado e otimizado ao longo do tempo.”

Eu pessoalmente gosto da analogia da plataforma com uma fábrica: na fábrica, há uma linha de montagem e, como tal, no chão de fábrica, um fluxo de trabalho bem pensado e coordenado é executado, transformando a  matéria-prima, que passa por várias máquinas especializadas, em produtos processados. Para essa mesma linha de montagem, há a sala de controle, onde os especialistas do produto supervisionam a eficácia e a eficiência da linha de produção por meio da inspeção cuidadosa dos painéis e relatórios online, procurando oportunidades de melhorar o fluxo de trabalho geral.

Nossa fábrica também possui docas, onde a matéria-prima entra para ser processada e a partir da qual as mercadorias são entregues aos clientes. Por último, mas não menos importante, há a força de trabalho, um grupo muito talentoso e qualificado de pessoas responsáveis ​​por operar, manter e melhorar o maquinário em um ciclo contínuo, permitindo que nossa fábrica modelo prospere e nossos clientes fiquem muito felizes com a qualidade dos produtos que entregamos e a velocidade com que somos capazes de atender seus pedidos.

Essa analogia, quando aplicada a uma plataforma de automação, significa que, para o chão de fábrica, um conjunto de capacidades ou máquinas especializadas precisaria estar disponível para transformar as entradas nos resultados desejados e garantir que o fluxo de trabalho projetado fosse seguido, continuamente, tornando os resultados previsíveis, consistentes e compatíveis com os padrões existentes. O chão de fábrica seria a camada de execução e seria composto por, pelo menos, os seguintes recursos:

Captura: A capacidade de capturar entradas de diferentes fontes de dados;

Conteúdo: A capacidade de armazenar, recuperar, classificar e versionar o conteúdo, independentemente de estar ou não estruturado;

Fluxos de trabalho: A capacidade de documentar e executar fluxos de trabalho predefinidos, controlar seus estados e garantir que eles sejam documentados de acordo com os padrões abertos. Isso garante que os fluxos automatizados sejam bem compreendidos e não sejam perdidos com o tempo;

Decisões: A capacidade de tomar decisões automatizadas, com base em critérios flexíveis, ao longo do fluxo de trabalho;

Automação Robótica: A capacidade de integrar força de trabalho robótica para substituir ou suplementar a força de trabalho humana e permitir a automação de um amplo espectro de casos de uso em larga escala.

A sala de controle, na nossa plataforma de automação hipotética, se traduz na camada de governança e seria composta das seguintes capacidades:

Políticas: O conjunto de regras e a política de como a automação de processos de TI deve ser tratada, permitindo que a organização aprenda e sustente seu uso em escala;

Monitoramento: A capacidade de monitorar a execução da automação, garantindo que os resultados sejam atingidos quando necessário e como planejado;

Painel e relatórios: A capacidade de visualizar o estado atual da plataforma, bem como o desempenho histórico das principais métricas;

Inteligência Artificial e Machine Learning: A capacidade de aplicar mecanismos para aprender com execuções anteriores para obter insights sobre o quê e como melhorar na execução de fluxos de trabalho existentes.

As docas da fábrica são representadas pelas interfaces de usuário da plataforma, que devem fornecer uma experiência unificada aos funcionários, parceiros e clientes, e devem ser extensíveis e baseadas em padrões abertos. A força de trabalho se traduz no grupo de pessoas responsável pela manutenção do estado de integridade da plataforma, revisando suas políticas e regras e garantindo que os recursos sejam conectados conforme necessário para alcançar os resultados desejados da entrega de TI.

Em resumo, a definição dos recursos essenciais da plataforma é o principal facilitador para que as organizações dimensionem a automação dos processos de TI com consistência e confiança. O framework técnico da plataforma deve ser genérico o suficiente para sobreviver ao surgimento de novas tecnologias, mas ao mesmo tempo também específico o suficiente para permitir o deploy do conjunto correto de ferramentas para realizar o trabalho.

Embora a plataforma, assim como suas principais definições, mude à medida que as organizações aprendem o quê e como automatizar, talvez mais importante seja ter a plataforma definida e estabelecida. As organizações estarão melhor posicionadas para captar os benefícios sustentáveis da automação dos processos de TI com uma abordagem sólida e confiável.

Fonte: DZone.com

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